Processo Saúde-doença
E o que é adoecer para você?
Intrigante pensar que quando adoecemos pensamos em nossa saúde.
No post "Reflexões sobre Saúde" vimos o quanto que a saúde é silenciosa e que geralmente não a percebemos em sua plenitude, sendo identificada na maioria das vezes apenas quando adoecemos.
E durante a vida experimentamos desconfortos e desequilíbrios ocasionados por diversos fatores que podem afetar nosso estado considerado saudável. Podemos olhar para esses fatores de diversas formas.
Olhar no nível biológico e orgânico nos remete ao fisiológico e patológico, a um processo de saúde-doença definido pelo equilíbrio dinâmico entre a normalidade e anormalidade, entre a funcionalidade e a disfunção.
Porém em cada indivíduo essas disfunções e anormalidades podem variar entre o mais perfeito bem-estar seguido de uma série de processos e eventos intermediários que culminam em um outro extremo que chamamos de morte.
E este indivíduo vivencia o processo saúde-doença imerso em um amplo contexto social resultante de uma complexa trama de fatores e relações representadas por determinantes que se desdobram em vários níveis de análise considerando sua família, domicílio, micro área, bairro, município, região, país, continente, mundo, universo...
Percebemos assim, que o processo saúde-doença se configura como um processo dinâmico, muito complexo e multidimensional.
Os povos na Antiguidade tinham uma visão mágico-religiosa sobra a saúde e a doença. Eles acreditavam que doenças aconteciam por causa de transgressões da natureza individuais ou coletivas e por obra de espíritos sobrenaturais.
Já os hindus e chineses acreditavam que a saúde vinha do equilíbrio entre elementos e humores do organismos, enquanto que a doença surgia quando ocorria um desequilíbrio.
No século VI a.C., Hipócrates buscou explicar o aparecimento das doenças através da Teoria dos Humores, na qual acreditava que o corpo humano possuia 4 substâncias (bile negra, bile amarela, sangue e fleuma) que precisavam estar equilibradas entre si e que se relacionavam com elementos do universo e com uma qualidade atmosférica.
No pensamento biomédico (Modelo de medicina científica ocidental) ocorreram várias buscas por explicações para a doença. O modelo biomédico clássico compreende os fenômenos de saúde e doença a partir da Biologia, com base nas ciências da vida. Na era do progresso científico da bacteriologia as doenças passaram a ser definidas pela ação de agentes patogênicos.
O modelo biomédico adota uma lógica unicausal, linear, buscando identificar uma causa unidirecional e progressiva, por determinação mecânica, para explicar o fenômeno do adoecer. E na visão epidemiológica de base biomédica a saúde populacional é definida pela presença ou ausência de fatores de risco.
No período do pós-guerra entre os anos de 1950 e 70 uma nova perspectiva de saúde coletiva começa a ser discutida fortalecendo um modelo sistêmico, contrapondo essa visão unidimensional e fragmentária do modelo biomédico.
Neste período ocorre a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo configurado um novo conceito de saúde como o "completo bem-estar físico, mental e social e não mera ausência de moléstia ou enfermidade" (WHO, 1948)
Em 1976, um modelo explicativo multicausal é delineado por Leavell e Clark proporcionando um entendimento da saúde como um processo, onde o reestabelecimento da normalidade é baseada na visão positiva da saúde, valorizando a noção de prevenção. E esse modelo busca o conhecimento da história natural da doença onde o conceito de saúde é explicado pelo esquema da tríade ecológica (agente, hospedeiro e meio ambiente). Porém existem discussões sobre o quanto que este modelo ainda recebe a forte influência do hegemônico modelo biomédico.
Paralelamente ao progresso técnico e tecnológico na medicina e atividade médica, intelectuais pensavam a Medicina Social como um campo de novos saberes, no contrafluxo da hegemonia do modelo biomédico, desde a década de 60. Sendo interesse deste campo a sistematização e o estudo dos variados processos que resultam em condições de vida e saúde numa dada coletividade buscando fortalecer a discussão do modelo da determinação social da doença.
E nessa busca incansável para compreender a saúde, a doença e o modo como acontece o adoecimento novos conceitos vão sendo construídos, visões vão se ampliando e novas propostas vão surgindo.
E assim, vendo, ouvindo, sentindo, experimentando, vivendo a vida, cada um constrói seus sentidos e significados deste processo de saúde-doença.
E qual é sua visão sobre o que é saúde e o que é doença?
Pra você, o que significa adoecer?
E o que te faz adoecer? Hoje você faz coisas que contribuem para o seu adoecimento?
O que você faz para contribuir com sua saúde?
Como é cuidar de alguém que adoeceu? Você tem a sensibilidade de entender o que é esse processo para o outro ou olha para o adoecimento do outro considerando a sua percepção?
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Até breve.
Bibliografia:
NARVAI, P. C. et al. Práticas de saúde pública. In: Saúde pública: bases conceituais. São Paulo: Atheneu, 2008, p. 269-297.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Constituição da Organização Mundial de Saúde Conferência Internacional da Saúde. New York: WHO, 1948. Disponível em: <http://www.nepp-dh.ufrj.br/oms2.html>. Acesso em: 28 abr. 2022.
Qualificação de Gestores do Sus - Rio de Janeiro : EAD, 2009 - 402 p. Disponível em: http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_14423743.pdf Acesso em: 27 abr. 2022.
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